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21 de Dezembro, 2025
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10 de Janeiro, 2026A SALVAGUARDA DA LÍNGUA MIRANDESA EXIGE UNIÃO
A instituição da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (EMPLM) é uma oportunidade única para a união à volta da Língua Mirandesa.
Nesse organismo do Estado devem rever-se todos os cidadãos da Terra de Miranda e todas as pessoas e instituições que, pelas mais diversas formas, a estudam, divulgam e
promovem.
A Língua Mirandesa é o principal fator de identidade da Terra de Miranda e a base da
nossa Cultura, tal como a Língua Portuguesa é um símbolo nacional (a par da Bandeira e do Hino Nacionais). Por isso, todos devem respeitar essa função e mantê-la acima de
disputas e interesses.
O processo de instituição da EMPLM deve ser inclusivo e isento. Por isso, devem ser
chamados a participar todos os que trabalham ou se interessam pelo Mirandês – nomeadamente, associações culturais, grupos de Pauliteiros, grupos musicais, escritores e poetas, investigadores, estudiosos e professores, autores de conteúdos culturais, agentes económicos, movimentos cívicos, cidadãos em geral. Na defesa de uma língua, toda a variedade é enriquecedora, mas toda a exclusão é uma perda irreparável e toda a divisão é mortífera. Nesse sentido, apelamos:
- Ao Governo, para que dirija este processo de forma inclusiva e transparente, tendo por objetivo que todos se revejam nessa Instituição. A Língua Mirandesa pertence ao Povo e à sua história, e essa dignidade transcendente deve orientar o Estado nesta implementação;
- Ao Governo, para que corrija o grave erro que foi a rejeição parlamentar da verba
de 500.000 euros que havia sido afeta ao Mirandês, nos orçamentos do Estado dos três anos anteriores. Essa rejeição resultou do voto contra do PSD e da abstenção do PS, os dois partidos mais votados na Terra de Miranda, na votação do Orçamento do Estado para 2026. Trata-se de um sinal alarmante de desinvestimento e um retrocesso no compromisso assumido com a identidade
cultural do nosso país. Assim, o Governo deve transferir anualmente uma verba
superior para a EMPLM e instituir mecanismos rigorosos de transparência na sua
utilização; - Às instituições locais e regionais, para que se unam, sem cedências a interesses
de circunstância, exigindo o respeito devido à identidade da Terra de Miranda; - À sociedade civil, para que se mantenha vigilante e ativa. O Mirandês não é um
fóssil de museu, mas uma língua viva que exige dignidade, recursos e o compromisso efetivo de quem tem o dever constitucional de a proteger.
A par do Português, o Mirandês é a única língua legalmente reconhecida em Portugal,
sendo um património nacional e europeu. A situação de diglossia e de menorização exige, para a sua inadiável salvaguarda, inteligência, vontade política e bom senso, bem como um investimento estruturante, que será sempre reprodutivo e rentável.
Estamos atentos e vigilantes: elogiaremos quem proceder de acordo com a dignidade e a urgência que a salvaguarda deste património exige e responsabilizaremos quem não agir desse modo.
O futuro da nossa língua não admite hesitações nem submissões.
Pela Língua, pela Cultura e pela Terra de Miranda.
Terra de Miranda, 5 de janeiro de 2026
https://terrademiranda.org/wp-content/uploads/2026/01/MCTM-Salvaguarda-Lingua_compressed.pdf



