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2 de Agosto, 2026O processo de instalação das centrais eólicas e fotovoltaicas tem de parar já!
Se for para a frente a instalação das explorações eólicas e fotovoltaicas, parte significativa do território da Terra de Miranda ficará debaixo de um manto de metal e plástico que matará a agricultura de terrenos férteis e produtivos, destruindo o potencial agrícola, silvícola, cinegético e turístico e o bem‑estar das populações.
A aldeia da Especiosa ficará totalmente cercada dessas explorações, que poderão também quase entrar no interior das povoações de Póvoa, São Martinho, Cicouro, Genísio (no concelho de Miranda do Douro) e chegar ao recinto do Santuário do Naso. Também Angueira, Vale de Frades, Avelanoso e Caçarelhos (no concelho de Vimioso) serão envolvidos por essas explorações.
Uma manta de painéis solares cobrirá o território de Tó, Castanheira, Sanhoane, Brunhosinho até ao Variz (no concelho de Mogadouro) e poderá ser alargada às povoações acima referidas.
Linhas de muito alta tensão, potencialmente danosas para a saúde das populações, passarão junto das povoações das freguesias de Caçarelhos, Angueira e Vilar Seco (concelho de Vimioso), Genísio, São Pedro da Silva, Águas Vivas, Palaçoulo (Prado Gatão), Sendim e Atenor, Vila Chã de Braciosa (Fonte de Aldeia), Picote (concelho de Miranda do Douro), Urrós e Bemposta (concelho de Mogadouro).
O Santuário da Santíssima Trindade ficará debaixo dessas linhas. Debaixo dessas linhas, os proprietários ficarão impedidos de utilizar os seus terrenos.
Ao todo, a extensão de terrenos que podem ser ocupados corresponde a cerca de metade do concelho de Miranda, segundo os documentos das empresas envolvidas.
Tudo isto foi preparado nas costas das populações, mantendo‑as intencionalmente na mais pura ignorância durante vários anos, numa opacidade que continua. A escassa informação conhecida tem sido obtida por movimentos de cidadãos.
Estão num silêncio estranho e incompreensível o Governo, que é o autor de tudo isto, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN), a CIM de Trás‑os‑Montes e os deputados eleitos pelo distrito de Bragança. Todos existem para representar e defender as populações, desde logo, informando‑as.
Estão todos a falhar e a violar os seus deveres perante o Povo.
Louvamos dois dos municípios da Terra de Miranda, que informaram estar contra estas explorações; mas, mais do que falar, é preciso fazer.
Não vemos nenhum eleito pelo Povo a enfrentar com coragem o poder da Engie e dos lóbis da energia, que já conhecemos pelo seu desprezo pela nossa Terra.
Sem informação não há Democracia. A estratégia de esconder do Povo o que aí vem tem de acabar!
Essa estratégia desonra o Estado Português e as restantes entidades públicas. As populações não podem confiar no Estado nem nas instituições que assim se comportam.
Esta opacidade viciou todo o processo de instalação destas explorações e, por isso, ele tem de parar imediatamente.
Não somos contra o progresso, pelo contrário, exigimos participar dele. Mas não vale tudo. Somos contra a falta de transparência e de informação, contra o extrativismo sem regras.
Perante a inação de quem devia zelar pela defesa dos interesses das populações, os cidadãos têm de se mobilizar. Assim, apelamos:
1. A todos os cidadãos, que até ao dia 17 deste mês participem e se mostrem contra estes projetos no seguinte endereço: https://participa.pt/pt/consulta/pda-do-projeto-da-central-eolica-da-fronteira-hibridizacaoda-central-hidroeletrica-de-picote
2. Aos proprietários, que se recusem a entregar os seus terrenos a empresas que não são de confiança, que tratam mal a Terra de Miranda e se recusam a pagar os impostos devidos aos nossos municípios e que, com estes projetos, deixarão focos de destruição e poluição permanente da nossa Terra.
3. A todos os políticos que elegemos, uma ação firme sobre mais uma forma de extrair riqueza à custa do bem‑estar de quem vive na Terra de Miranda. Que informem, escutem e defendam as suas populações.
Terra de Miranda, 10 de agosto de 2026
https://terrademiranda.org/wp-content/uploads/2026/08/MCTM-O-processo-de-instalacao-das-centrais.pdf


